FIMA 2026: a Lei dos Resíduos Sólidos e a logística reversa
FIMA debate como garantir destino correto aos resíduos que podem ser reciclados gerando trabalho e renda
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi instituída pela Lei nº 12.305 de 2010. O Brasil estabeleceu diretrizes fundamentais para o manejo adequado dos resíduos e incentivou práticas como a logística reversa. A ideia é que o fabricante assuma o compromisso com o destino final de embalagens e resíduos recicláveis dos produtos. Mas ainda existe um longo caminho para que todas as indústrias se comprometam com esta função: recolher o que sobra do produto que entregaram ao mercado.
Texto de Daniela Sallet
Iniciativas que promovem bons resultados com a transformação dos resíduos e otimizam o uso dos recursos hídricos serão apresentadas no segundo dia do Fórum Internacional do Meio Ambiente. É um tema importante porque significa geração de renda e a garantia de um planeta menos poluído. Afinal, produtos descartados corretamente são selecionados em usinas de reciclagem por equipes que recebem pagamento para separar o material. Selecionados, os resíduos seguem para indústrias e não acabam em lixões e aterros sanitários (onde podem demoram um século para se decompor).

Sirlei
É o que acontece, por exemplo no Centro de Triagem da Vila Pinto, em Porto Alegre. A coordenadora operacional do CTVP Sirlei Batista de Souza é uma das convidadas do último painel do FIMA 2026 que aborda “A Lei dos Resíduos Sólidos e a Logística Reversa”. Graduada em Gestão Ambiental, Sirlei vai apresentar o funcionamento da cooperativa que hoje reúne 35 catadoras e catadores. Uma redução significativa já que o local chegou a ter 250 associados, trabalhando na reciclagem. Sirlei vai analisar o encolhimento nas atividades das cooperativas de reciclagem e propor alternativas para fortalecer a atividade.

A procuradora de justiça Ana Maria Moreira Marchesan do Ministério Público do RS coordena o Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente, responsável por orientar, auxiliar e facilitar a atuação dos Promotores de Justiça Ambientais. Ela vai apresentar o projeto “MP Sustentare” que promove a logística reversa de eletroeletrônicos. O projeto tem se consolidado como uma importante ação voltada à promoção da responsabilidade compartilhada e ao adequado encaminhamento dos resíduos eletroeletrônicos, contribuindo para a redução de impactos ambientais e a melhoria da gestão municipal de resíduos.

Os impactos sociais da logística reversa de eletroeletrônicos serão mostrados pelo empresário Joelson Orrigo Gonsalves, fundador da JG Recicla de Alvorada- RS e parceiro do Projeto MP Sustentare. Criada em 2002, a empresa é referência em gestão de resíduos eletroeletrônicos e Economia Circular transformando 1200 toneladas de material por mês. Joelson foi catador de sucatas na adolescência e hoje exporta resíduos para China e Europa. Tem 85 colaboradores diretos e gera emprego para quase 90 apenados de penitenciárias gaúchas no projeto MP Sustentare.

E como a economia circular pode ser aplicada no tratamento de esgotos? A Engenheira Química Aline Barreto Graebin, vai explicar o estudo que está desenvolvendo no doutorado, com foco nas tecnologias de nanofiltração. São processos avançados de separação por membranas aplicados no tratamento de efluentes, uma técnica que permite remover contaminantes residuais de fármacos e pesticidas, que muitas vezes não são eliminados pelos tratamentos convencionais. Desde 2010, Aline é Operadora de Tratamento do SEMAE- Serviço Municipal de Água e Esgotos de São Leopoldo-RS, onde foi Gerente de Sistemas de Esgotamento. Seu estudo busca ampliar as possibilidades de reúso da água e de aproveitamento de recursos presentes nos sistemas de saneamento. São tecnologias novas que reduzirão os custos com o tratamento da água.
(Permitida a Reprodução com citação da Fonte)
